5 de dez. de 2011

Exercício - Geografia Humana e Econômica


Exercício - Geografia Humana e Econômica

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Questões - Respostas

(Questão 01) Qual a diferença entre espaço geográfico e:
Segundo Milton Santos (1997, p. 51), o espaço geográfico é aquele “formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá. No começo era a natureza selvagem, formada por objetos naturais, que ao longo da história vão sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, mecanizados e, depois cibernéticos fazendo com que a natureza artificial tenda a funcionar como uma máquina”.

a)      Paisagem“paisagem é o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre o homem e a natureza.” (1997, p. 83)

Desta forma, a diferença entre paisagem e espaço geográfico, é que, a primeira (paisagem) é “transtemporal juntando objetos passados e presentes, uma construção transversal juntando objetos.” Enquanto a segunda (espaço), “é sempre um presente, uma construção horizontal, uma situação única. Ou ainda, paisagem é um sistema material, nessa condição, relativamente imutável, espaço é um sistema de valores, que se transforma permanentemente”.

b)      TerritórioEste, por sua vez, é uma dimensão do espaço geográfico que desvincula as relações humanas e sociais da relação direta com a dimensão natural do espaço, extraindo desse conceito a necessidade direta de domínio, também dos recursos naturais, como expressa-se na concepção clássica de território. A natureza, enquanto recurso associada à ideia de território, já não é mais necessária. Nestas territorialidades, a apropriação se faz pelo domínio de território, não só para a produção, mas também para a circulação de uma mercadoria, a exemplo das territorialidades por vezes estudadas, como o território das drogas. Estas novas territorialidades apresentam-se como voláteis e constituem parte do tecido social, expressam uma realidade, mas não substituem, em nosso entender, a dominação política de territórios em escalas mais amplas. Devendo essas, para serem explicadas e não somente descritas, serem inseridas em espaços de dimensão relacional.

c)      LugarLugar constitui a dimensão da existência que se manifesta através “de um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas, instituições–cooperação e conflito são a base da vida em comum” (Milton Santos, 1997).

v  Neste sentido, o conceito de lugar induz a análise geográfica a uma outra dimensão - a da existência- “pois refere-se a um tratamento geográfico do mundo vivido” (Milton Santos, 1997). Este tratamento vem assumindo diferentes dimensões. De um lado, o lugar se singulariza a partir de visões subjetivas vinculadas a percepções emotivas, a exemplo do sentimento topofílico (experiências felizes) das quais se refere Yu-Fu Tuan (1975). De outro, o lugar pode ser lido através do conceito de geograficidade, termo que, segundo Relph (1979), “encerra todas as respostas e experiências que temos de ambientes na qual vivemos, antes de analisarmos e atribuirmos conceitos a essas experiências”. Isto implica em compreender o lugar através de nossas necessidades existenciais quais sejam, localização, posição, mobilidade, interação com os objetos e/ou com as pessoas. Identifica-se esta perspectiva com a nossa corporeidade e, a partir dela, o nosso estar no mundo, no caso, a partir do lugar como espaço de existência e coexistência.
Mas o lugar pode também ser trabalhado na perspectiva de um mundo vivido, que leve em conta outras dimensões do espaço geográfico, conforme se refere Milton Santos (1997), quais sejam os objetos, as ações, a técnica, o tempo.

d)     RegiãoDa mesma forma que os demais conceitos, região apresenta-se como um conceito com inúmeras variantes.
Sua concepção mais recente adquire significados múltiplos, incluindo a dimensão cultural. Nos últimos anos pode-se observar a possibilidade de região ser compreendida como proposição política sob um espaço, pode ser compreendida como expressão de uma forma de especialização do trabalho, como também ser compreendida como espaço identitário para um determinado grupo social, que se consolida nos regionalismos e que se expressa pelo hibridismo do politico, do econômico e do cultural, enquanto construção de representações que fortaleçam a identidade.

v  Qual das categorias ajudará o sociólogo a melhor entender a sociedade?

A categoria região é uma das que auxilia o sociólogo a melhor entender a sociedade, por que esta, que é vista pelo sociólogo como uma construção de espaço vinculado que advém da forma como, na contemporaneidade, sob a lógica do Modo de produção Capitalista, se organiza o processo produtivo. Além disso, a concepção mais recente de região inclui a dimensão cultural, e como já foi colocado acima: “Nos últimos anos pode-se observar a possibilidade de região ser compreendida como proposição política sob um espaço, pode ser compreendida como expressão de uma forma de especialização do trabalho, como também ser compreendida como espaço identitário para um determinado grupo social, que se consolida nos regionalismos e que se expressa pelo hibridismo do politico, do econômico e do cultural, enquanto construção de representações que fortaleçam a identidade.” (SUERTEGARAY, 2000). Também, a partir da categoria lugar, o sociólogo pode se beneficiar, já que esta última busca entender a existência objetava e subjetividade dos indivíduos.

(Questão 02) Explique a diferença entre o espaço do geografo e o espaço do sociólogo.
A noção de espaço, para o sociólogo, é uma noção difícil de ser compreendida numa única definição. Este, de fato, procura captar a especificidade do conceito em relação ao espaço geográfico, levando em conta a imagem que os homens têm de seu próprio espaço social. Esta imagem repercute no real. Isto é, o espaço do sociólogo é subjetivo, é um reflexo deformado do espaço objetivo, pois reage sobre este.
Por outro lado, o espaço do geógrafo corresponde àquilo que Durkheim denominou substrato dos fatos sociais. Desta forma, a noção de espaço para o geografo é consubstancial. Por isso que sua atividade repousa, em primeiro lugar, nas técnicas cartográficas, pois é dai que ele tira suas hipóteses de trabalho. Não certezas quanto a relações de casualidade, mas hipóteses que o conduzem a outras explicações. Assim sendo, a prudência é a regra, e justamente por isso, o sociólogo não pode ignorá-lo.

(Questão 03) Como a noção do espaço foi concebida na:

a)      Geografia territorial Para a geografia tradicional, o espaço não se constitui um conceito-chave. Contudo, está presente na obra de Ratzel e de Hartshorse, mas de modo implícito. Para Ratzel o espaço é visto como base indispensável para a vida do homem, encerrando as condições de trabalho, quer naturais, quer aqueles socialmente produzidos. Sendo assim, para este autor o domínio do espaço transforma-se em elemento crucial na história do Homem. Por outro lado, Hartshorse coloca o espaço como absoluto, isto é, um conjunto de pontos de tem existência em si, sendo independente de qualquer coisa.

b)      Geografia teorético-quantitativa Nesta perspectiva, a geografia passa a ser considerada como uma ciência social (Schaefer), e até mais além, como afirmava Bunge, quando expunha que a geografia deveria ser vista como uma ciência espacial. Neste contexto, o espaço aparece, pela primeira vez como conceito-chave da geografia. E ainda, esse conceito (espaço) é visto sobre duas formas: de um lado a noção de planície isotrópica (é uma construção do espaço que resume uma concepção de espaço derivada de um paradigma racionalista e hipotético-dedutivo), de outro, de sua representação matricial.


c)      Geografia crítica Esta, por sua vez, fundou-se no materialismo histórico e na dialética. E por isso, procura romper com a geografia tradicional e com a geografia teorética-quantitativa. E, novamente o espaço aparece como conceito-chave. Debate-se, de um lado, se na obra de Marx o espaço está presente ou ausente e, de outro, qual a natureza e o significado do espaço. Outra preocupação dos geógrafos críticos esta na identificação das categorias de analise do espaço. Em meias palavras, na concepção da geografia critica o espaço é concebido como locus de reprodução das relações sociais de produção, isto é, reprodução da sociedade.


d)     Geografia humanista e cultural Semelhante a geografia crítica, a geografia humanista e cultural é uma crítica a geografia de cunho lógico-positivista. Por outro lado, esta se opõe as geografias critica e a teorético-quantitativa, já que a geografia humanista está assentada na subjetividade, na intuição, nos sentimentos, na experiência, no simbolismo e na contingência, privilegiando o singular e não o particular ou o universal e, ao invés da explicação, tem na compreensão a base de inteligibilidade do mundo real. Segundo Tuan (1979) no âmbito do espaço da geografia humanista consideram-se os sentimentos especiais e as ideias de um grupo ou povo sobre o espaço a partir da experiência. Tuan argumenta que existem vários tipos de espaços, um espaço pessoal, outro grupal, onde é vivida a experiência do outro, e o espaço mítico-conceitual que, ainda que ligado à experiência, “extrapola para além da evidencia sensorial e das necessidades imediatas e em direção a estruturas mais abstratas”. 
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Bom Pessoal, não recebi a correção desse exercício por isso, se alguém quiser sugerir alguma alteração, será bem vinda.
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3 de nov. de 2011

FICHAMENTO: Uma breve introdução à filosofia. (THOMAS NAGEL)

Olá meus queridos e queridas! Hoje trago à vocês mais uma sequência de fichamentos (de citação), espero que gostem e comentem =) 


 * O fichamento não é completo, isto é, falta alguns capítulos. Por isso resolvi repetir a referência a cada capítulo, para evitar que você se perca, fique atento!!!


http://www.livrariamartinseditora.com.br/capas/729/9788533623729.jpg

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Primeiro Fichamento
TEXTO: NAGEL, T. Uma breve introdução à filosofia. Capítulo III. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 19-26.
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OUTRAS MENTES
 “Há um tipo especial de ceticismo que continua a ser um problema mesmo que você admita que sua mente não é a única coisa que existe – que o mundo físico que você aparentemente vê e sente ao seu redor, até mesmo seu próprio corpo, de fato existe. Trata-se do ceticismo quanto à natureza ou mesmo quanto à existência de outras mentes ou experiências além da sua.” (p.19)

“A única coisa que você observa com clareza são os corpos dos outros seres vivos, incluindo as pessoas.” (p. 19)

 “A única experiência que você pode ter, na verdade, é a sua própria: se acredita que existe alguma vida espiritual nas outras pessoas, essa crença se baseia na sua observação do comportamento e da constituição física delas” (p. 20)

“A única relação que você já observou entre um tipo de sorvete e um certo sabor se deu em você mesmo; assim, o que o leva a pensar que correlações similares são válidas também para os demais seres humanos?” (p.20)

“A única coisa que você pode observar é a correlação que se estabelece em você.” (p.21)

“(...) pode-se admitir aqui um certo grau de incerteza. A correlação entre estimulo e experiência pode não ser exatamente igual para cada um: a experiência de cor ou saber de duas pessoas que provam o mesmo tipo de sorvete pode apresentar ligeiras variações.” (p.22)

“Você poderia dizer, contudo, que as diferenças não podem ser assim tão radicais, pois, do contrário, poderíamos percebê-las.” (p.22)

“Note, porém, que essa afirmação pressupõe uma outra correlação para cada pessoa: a correlação entre a experiência interna e certos tipos de relações observáveis. E, nesse caso, surge a mesma questão.” (p.22)

“O único exemplo da correlação entre mentes, comportamento, anatomia e ocorrências físicas que você já observou diretamente é você mesmo. Mesmo que as outras pessoas e os animais não tivessem nem uma única experiência, nenhuma vida mental interior, mas fossem apenas máquinas biológicas sofisticadas, ainda assim teriam para você exatamente a mesma aparência.” (p.23)

“Sua convicção de que existem mentes nesses corpos, visão por trás desses olhos, audição nesses ouvidos etc. é instintiva.” (p.24)

“Acreditamos, de maneira geral, que os outros seres humanos são conscientes, e quase todos acreditam que os demais mamíferos e os pássaros também são conscientes. Mas as pessoas divergem sobre se os peixes, insetos, vermes e águas-vivas são também conscientes. E a maior parte duvida de que os animais unicelulares, como amebas e paramécios, têm experiências conscientes, embora essas criaturas reajam, de maneira evidente, a vários tipos de estímulos.” (p.24)

“Se uma coisa é incapaz de se mover, ela não pode oferecer nenhum indicio de comportamento sobre o que sente ou percebe.” (p.25)

“Só poderíamos descobrir essas correlações se observássemos ao mesmo tempo as experiências e manifestações externas, mas não há como observar as experiências diretamente, a não ser em nós mesmos. Pela mesma razão, não seria possível observar a ausência de experiência e, conseqüentemente, a ausência de tais correlações, em nenhum outro caso. Não se pode olhar dentro de uma arvore para dizer que ela não tem experiência, da mesma forma que não se pode olhar dentro de um verme para dizer que ele tem experiência.” (p.26)

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Segundo Fichamento
TEXTO: NAGEL, T. Uma breve introdução à filosofia. Capítulo IV. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 27-37.
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O PROBLEMA MENTE-CORPO

 “Esqueçamos o ceticismo e admitamos que o mundo físico existe, até mesmo seu corpo e cérebro; e deixemos de lado nosso ceticismo quanto à existência de outras mentes. Admito que você é consciente, se você admitir que eu também sou. Ora, qual pode ser a relação entre a consciência e o cérebro?” (p.27)

“Todos sabem que o que acontece na consciência depende do que acontece ao corpo.” (p. 27)

 “Ao que tudo indica, para que alguma coisa aconteça em sua mente ou consciência, é preciso que algo aconteça no seu cérebro.” (p. 27)

“Em alguns casos, sabemos de que maneira o cérebro afeta a mente e de que maneira a mente afeta o cérebro” (p.28)

“Desconhecemos muitos dos detalhes, mas é evidente que existem relações complexas entre o que acontece na sua mente e os processos físicos que se desencadeiam no seu cérebro. Até aqui, tudo o que foi dito é assunto da ciência, não da filosofia.” (p.28)

“Mas há também uma indagação filosófica sobre a relação entre mente e cérebro, que é a seguinte: a mente é diferente do cérebro, embora esteja vinculada a ele, ou ela é o cérebro? Seus pensamentos, sentimentos, percepções, sensações e desejos são coisas que acontecem além de todos os processos físicos que ocorrem no seu cérebro, ou são, elas próprias, alguns desses processos físicos?” (p.28)

“Suas experiências estão no interior da sua mente com um tipo de interioridade que é diferente do modo como seu cérebro está no interior da sua cabeça. Uma outra pessoa pode abrir sua cabeça e observar o que há dentro dela, mas não pode abrir sua mente e examiná-la – não dessa forma pelo menos.” (p.29-30)

“Se o que aconteceu na sua experiência esta no interior de sua mente de um jeito diferente do que acontece no seu cérebro, parece então que as suas experiências, bem como seus diferentes estados de espírito, não podem ser meros estados físicos do cérebro. Você deve ser algo mais do que um corpo dotado de um buliçoso sistema nervoso.” (p.30)

“Uma conclusão possível é que deve haver uma alma ligada ao corpo, de tal forma que ambos possam interagir. Se isso é verdade, então você é constituído de duas coisas muito diferentes: um organismo físico complexo e uma alma puramente mental. (Essa visão é chamada de dualismo, por razões óbvias.)” (p.31)

“Muitas pessoas, porém, acham que a crença na alma é ultrapassada e não cientifica. Tudo o que existe no mundo é feito de matéria física – diferentes combinações dos mesmos elementos químicos.” (p.31)

“A opinião de que as pessoas não passam de matéria física, e que seus estados de espírito são estados físicos cerebrais, é denominada fisicalismo (ou, às vezes, materialismo). Os fisicalistas não têm uma teoria específica sobre qual processo cerebral pode ser identificado com a experiência de saborear chocolate, por exemplo. Mas acreditam que os estados de espírito são apenas estados do cérebro, e que não há nenhuma razão filosófica para pensar que não sejam. Os detalhes terão de ser descobertos pela ciência.” (p.31-32)

“A ideia é que podemos descobrir que as experiências são, na verdade, processos cerebrais, tal como descobrimos que outras coisas conhecidas têm uma natureza real que não poderíamos ter adivinhado, até que foi revelada pela investigação cientifica.” (p.32)

“(...) embora pareça surpreendente que a experiência de saborear chocolate não seja, talvez, mais do que uma complexa ocorrência física no cérebro, isso não seria mais estranho que as muitas coisas que se descobriram sobre a verdadeira natureza de objetos e processos comuns. ” (p.32)

“Um dualista retrucaria que essas outras coisas são diferentes. Quando investigamos a composição química da água, por exemplo, estamos lidando com algo que pertence claramente ao mundo físico – algo que podemos ver e tocar.” (p.33)

“Uma característica essencial desse tipo de análise é que não se trata de uma decomposição química do modo como vemos, sentimos e saboreamos a água. Essas coisas acontecem na nossa experiência interna, não na água que foi decomposta em átomos. A análise física ou química da água desconsidera essas experiências.” (p.33)

“Um todo físico pode ser analisado em partes físicas menores, mas um processo mental, não. Não é possível somar partes físicas para obter um todo mental.” (p.33)

“Outra possibilidade, contudo, é a de que a vida mental ocorra no cérebro, ainda que todas essas experiências, sentimentos, pensamentos e desejos não sejam processos físicos do cérebro. Isso significa que a massa cinzenta dos bilhões de células nervosas dentro do seu crânio não é apenas um objeto físico. Embora tenha muitas propriedades físicas – uma grande quantidade de atividades químicas e elétricas - , ali também ocorrem processos mentais.” (p.34)

“A concepção de que o cérebro é a sede da consciência, mas que seus estados conscientes não são meros estados físicos, é chamada de teoria do aspecto dual.” (p.34)

“Quando esse processo ocorre, um cientista, ao examinas seu cérebro, poderá observar o aspecto físico, mas é você, internamente, que passará pelo aspecto mental: você é que vai experimentar a sensação de saborear o chocolate. Sendo assim, seu cérebro teria um interior que não poderia ser alcançado por um observador externo, mesmo que ele o abrisse ao meio.” (p.34-35)

“Poderíamos expressar essa ideia ao dizer que você é apenas corpo, não corpo e alma, mas seu corpo, ou pelo menos seu cérebro, não é somente um sistema físico. É um objeto com aspectos físicos e mentais: pode ser dissecado, mas tem um tipo de interior que a dissecação não pode revelar.” (p.35)

“Para os fisicalistas, a única coisa que existe é o mundo físico, que pode ser estudado pela ciência: o mundo da realidade objetiva. Por isso, eles precisam encontrar um lugar nesse mundo para alojar os sentimentos, desejos, pensamentos e experiências – um lugar para você e para mim.” (p.35)

“Pessoalmente acredito quer esse aspecto interno da dor e de outras experiências conscientes não pode ser adequadamente analisado em termos de nenhum sistema de relações causais com estímulos e comportamentos físicos, por mais complexos que sejam.” (p.36)

“Parece haver dois tipos muito distintos de coisas que acontecem no mundo: as coisas que pertencem à realidade física, que muitas pessoas podem observar de fora, e as coisas que pertencem à realidade mental, que cada um de nós experimenta interna e individualmente.” (p.36)

“Nossa concepção geral do mundo será insuficiente até que possamos explicar de que modo os elementos físicos, quando combinados da maneira certa, formam não apenas um organismo biológico funcional, mas também um ser consciente. Se a própria consciência pudesse ser identificada com algum tipo de estado físico, estaria aberto o caminho para uma teoria unificada da mente e do corpo e assim, talvez, para uma teoria unificada do universo.” (p.37)

“A ciência física avançou deixando a mente de fora daquilo que tenta explicar, mas pode ser que haja mais sobre o mundo do que a ciência física é capaz de entender.” (p.37)











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Terceiro Fichamento
TEXTO: NAGEL, T. Uma breve introdução à filosofia. Capítulo V. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 39-47.
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O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS

 “Como pode uma palavra – um ruído ou uma série de marcas no papel – significar alguma coisa?” (p.39)

“Existem muitos tipos de palavras: algumas delas designam pessoas ou coisas, outras denominam qualidades ou atividades, outras se referem a relações entre coisas ou acontecimentos, outros nomeiam números, lugares ou épocas, e outra ainda, como ‘e’ e ‘de’, só têm significado proque contribuem para dar sentido a afirmações ou perguntas maiores, nas quais aparecem como partes. Na verdade, todas as palavras funcionam desta maneira: seu significado está, efetivamente, relacionado com a contribuição que entre elas dão ao sentido de frases ou enunciados.” (p. 39)

 “Certas palavras podem ser definidas em termos de outras palavras: ‘quadrado’, por exemplo, significa ‘figura plana de quatro lados, eqüilátera e eqüiângula’. A maioria dos termos dessa definição também pode ser definida. Mas as definições não podem ser à base do significado para todas as palavras, do contrario andaríamos eternamente em circulo.” (p. 40)

“Mas o sentido da pergunta, bem como a resposta, depende do fato de que a palavra ‘tabaco’ se refere a todas as amostras da substancia que existem no mundo – incluindo, na verdade, épocas passadas e futuras -, a cada cigarro fumado na China no ano passado, a cada charuto em Cuba, e assim por diante.” (p.41)

“Como a palavra faz isso? Como pode um simples ruído ou rabisco ter tal alcance? É evidente que não é por causa do som ou do aspecto. Nem por causa do número relativamente pequeno de amostras de tabaco com que você deparou, e que estavam por perto quando você pronunciou, ouviu ou leu a palavra. Trata-se de alguma outra coisa, algo de caráter geral, que se aplica ao uso que cada pessoa faz da palavra.” (p.41)

“A palavra, tal como você a usa, tem alguma outra coisa por trás dela – um conceito, ideia ou pensamento – que, de algum modo, se estende a todo tabaco do universo.” (p.42)

“(...) que tipo de coisa é esse intermediário? Está em sua mente, ou é algo fora de sua mente com o qual, de algum modo, você pode fazer uma associação? Parece haver algo com que você, eu e o chinês podemos todos associar, a fim de expressar a mesma coisa com nosssas palavras para tabaco.” (p.42)

“O problema que temos aqui, de como a palavra pode significar a ideia ou o conceito (seja qual for), não é exatamente igual ao que havia antes, de como a palavra pode significar a planta ou a substancia?” (p.42)

“Há também o problema de como essa ideia ou conceito se relaciona com todas as amostras de tabaco real” (p.43)

“Com ou sem o conceito ou a ideia, o problema parece ser o seguinte: o uso que cada pessoa faz de uma palavra envolve sons, marcas e exemplos muito particulares, mas a palavra se aplica a algo universal, que outros falantes particulares também podem expressar por meio dessas palavras ou de outras palavras em outras línguas.” (p.43)

“(...) mesmo que você forme uma certa imagem em sua mente ao ouvir ou usar a palavra ‘tabaco’, cada pessoa provavelmente formará uma imagem diferente.” (p.44)

“O mistério do significado é que ele, aparentemente, não se situa em nenhum lugar -  nem na palavra, nem na mente, nem em nenhum conceito ou ideia pairando entre a palavra, a mente e as coisas sobre as quais estamos falando. Contudo, usamos a linguagem o tempo todo, e ela nos permite formular pensamentos complicados, que transpõem grandes distancias no tempo e no espaço.” (p.44)

“As palavras muitas vezes são usadas simplesmente como ferramentas nas relações entre as pessoas.” (p.45)

“Seja o que for que aconteça nas situações praticas e corriqueiras, deve ser algo suficientemente geral também para explicar essas outras situações, bastante diferentes, em que ela tem o mesmo significado.” (p.46)

“Quando uso a palavra, ela pode ter significado como parte da língua portuguesa, mas de que maneira o uso da palavra por todos os outros falantes da língua lhe dá alcance universal, muito além de todas as situações em que ela é efetivamente usada? O problema da relação da linguagem com o mundo não é diferente, quer falemos de uma frase ou de bilhões de frases. O significado de uma palavra contém todos os seus possíveis, verdadeiros e falsos, não apenas seus usos efetivos – e estes são apenas uma fração mínima dos usos possíveis” (p.47)

“Somos pequenas criaturas finitas, mas o significado nos permite, com a ajuda de sons ou marcas no papel, entender o mundo inteiro e as muitas coisas que há nele, até mesmo inventar coisas que não existem e que, talvez, nunca venham a existir. O problema é explicar como isso é possível: como alguma coisa que dizemos ou escrevemos – inclusive todas as palavras contidas neste livro – pode significar algo?” (p.47)
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Quarto Fichamento
TEXTO: NAGEL, T. Uma breve introdução à filosofia. Capítulo VI. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 49-61.
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LIVRE-ARBÍTRIO


 “(...) até o momento da escolha, não há nada que determine irrevogavelmente qual será a sua escolha” (p.51)

“Não havia nenhum processo ou força em ação, antes da sua escolha, que tornasse inevitável que você escolhesse o bolo de chocolate.” (p. 52)

 “Algumas pessoas acham que nunca é possível fazer diferente do que na verdade fazemos, nesse sentido absoluto. Reconhecem que dependemos de fato de nossas escolhas, decisões e vontades, e que fazemos diferentes escolhas em diferentes circunstâncias: não somos como a Terra, girando em torno do seu próprio eixo com uma regularidade monótona. Mas afirmam que, em cada situação, as circunstâncias que se apresentam antes de agirmos determinam nossas ações, tornando-as inevitáveis. A soma total das experiências, dos desejos e do conhecimento de uma pessoa, sua constituição hereditária, as circunstâncias sociais e a natureza da escolha que ela tem diante de si, juntamente com outros fatores que talvez desconheçamos, combinam-se para tornar inevitável uma ação particular nessas circunstâncias.” (p. 53)

“Essa visão chama-se determinismo. A ideia não é que podemos conhecer todas as leis do universo e usá-las para prever o que irá acontecer. Em primeiro lugar, não podemos conhecer todas as complexas circunstâncias que influenciam uma escolha humana. Em segundo, mesmo quando aprendemos alguma coisa sobre as circunstancias, e tentamos fazer uma previsão, isso por si só é uma mudança nas circunstancias, que pode alterar o resultado previsto. Mas a questão não é a de que existem leis naturais, como as que governam o movimento dos planetas, que governam tudo o que acontece no mundo – e, de acordo com essas leis, as circunstâncias que antecedem uma ação determinam o que irá ocorrer e excluem qualquer outra possibilidade.” (p.53-54)

“Sua escolha foi determinada pela situação imediatamente anterior, e essa situação, por sua vez, foi determinada pela situação anterior a ela, e assim sucessivamente até onde você queira recuar no tempo” (p.54)

“Ainda que o determinismo não se aplique a todas as coisas que ocorrem – mesmo que alguns acontecimentos não sejam determinados por causas que já existiam de antemão - , seria de qualquer modo muito significativo se tudo que fizéssemos já estivesse determinado antes de o fazermos.” (p.54)

“Se acreditasse nisso acerca de si mesmo e das outras pessoas, o modo como você se sente a respeito das coisas provavelmente mudaria.” (p.55)

“Se já estava determinado que ela assim o faria, era inevitável: ela não poderia agir de outra forma, dadas as circunstancias em que se encontrava.” (p.55)

“Algumas pensam que, se o determinismo é verdadeiro, então não faz sentido elogiar nem culpar alguém por coisa alguma, da mesma forma que não faz sentido culpar nem elogiar a chuva por cair. Outros acham que faz sentido elogiar as boas ações e condenar as más, ainda que sejam inevitáveis. Afinal, o fato de alguém estar predeterminado a agir mal não significa que ela não agiu mal.” (p.56)

“(...) se pensamos que a ação dele estava predeterminada, então puni-lo seria semelhante a punir um cachorro por roer o tapete. Não significa que não o consideramos responsável pelo que fez: estamos apenas tentando influenciar seu comportamento futuro. Pessoalmente, não creio que faça sentido culpar alguém por fazer uma coisa que era impossível para ele deixar de fazer.” (p.56)

“Muitos cientistas acreditam hoje  que ele não se aplica as partículas básicas da matéria – que, numa dada situação, há mais de uma coisa que um elétron pode fazer. Se o determinismo também não se aplica as ações humanas, talvez então haja espaço para o livre-arbítrio e para a responsabilidade” (p.57)

“Uma resposta possível seria a de que não há resposta para essa pergunta. A ação livre é uma característica básica deste mundo e não pode ser analisada” (p.58)

“Algumas pessoas deixariam por isso mesmo. Outras, porém, acham suspeito que tenhamos de apelar a essa ideia inexplicada para explicar em que sentido você poderia ter escolhido o fruto em vez do bolo. Até aqui, parecia que o determinismo era a grande ameaça à responsabilidade. Agora, no entanto, parece que, mesmo que nossas escolhas não sejam predeterminadas, ainda assim é difícil entender de que modo podemos fazer aquilo que não podemos fazer.” (p.58)

“(...) seja o determinismo verdadeiro ou falso, não somos responsáveis por nossas ações. Se o determinismo é verdadeiro, as circunstancias anteriores são responsáveis. Se o determinismo é falso, nada é responsável. Seria, sem duvida, um beco sem saída.” (p.59)

“Há uma outra hipótese possível, completamente oposta à maior parte do que falamos até agora. Algumas pessoas acham que a responsabilidade por nossas ações requer que nossas ações sejam determinadas. Para que uma ação seja algo que você fez. Dizem elas, precisa ser resultado de certas causas presentes em você.” (p.59)

“(...) a determinação casual, por si mesma, não é uma ameaça à liberdade – somente um certo tipo de causa a ameaça.” (p.60)

“Se pensasse que tudo o que fiz foi determinado pelas minhas circunstancias e pela minha condição psicológica, eu me sentiria encurralado. E, se pensasse a mesma coisa sobre todas as outras pessoas, sentiria que não somos mais do que um bando de marionetes. Não faria sentido considerá-las responsáveis por suas ações, da mesma forma que não se pode responsabilizar um gato, um cachorro ou mesmo um elevador.” (p.60)

“Para evitar essa conclusão, você teria de explicar (a) o que quer dizer quando diz que poderia ter feito outra coisa em vez daquilo que fez, e (b) como você e o mundo teriam de ser para que isso fosse verdade.” (p.61).

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É isso pessoal, espero que tenham gostado! AGORA...


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11 de out. de 2011

Referencial curricular nacional para escola indígenas

Sendo licenciados ou bachareias, nas ciências sociais ou areas convergentes, devemos estar por dentro!!!

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 Referencial curricular nacional para escola indígenas


Consolidando este quadro, um novo documento começou a chegar nas escolas indígenas de todo o país: o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI), documento indutor e orientador de novas práticas, que contou com a participação de especialistas, técnicos e professores índios em sua formulação. Trata-se de um longo e detalhado documento em que se apresentam considerações gerais sobre a educação escolar indígena, quer através da fundamentação histórica, jurídica, antropológica e pedagógica que sustenta a proposta de uma escola indígena que seja intercultural, bilíngüe e diferenciada, quer através de sugestões de trabalho, por áreas do conhecimento, que permitam a construção de um currículo específico e próximo da realidade vivida por cada comunidade indígena, na perspectiva da integração de seus etno-conhecimentos com conhecimentos universais selecionados.

Num campo que se caracteriza por uma plêiade de concepções e práticas diferentes, o documento conhecido pela sigla RCNEI conseguiu reunir e sistematizar um mínimo de consenso, capaz de subsidiar diversas interpretações e propostas de construções pedagógicas e curriculares autônomas. Para que isto de fato ocorra será preciso qualificação profissional dos agentes educacionais e abertura nos rígidos esquemas administrativos das secretarias de educação, de modo que se possa construir novos canais de interlocução em que as comunidades indígenas tenham papel ativo na definição do projeto político pedagógico de suas escolas.

A Educação Escolar Indígena e o Plano nacional de Educação


Em 09 de janeiro de 2001 foi promulgado o Plano Nacional de Educação, também conhecido pela sigla PNE. Ele apresenta um capítulo sobre a educação escolar indígena, dividido em três partes. Na primeira parte faz-se um rápido diagnóstico de como tem ocorrido a oferta da educação escolar aos povos indígenas. Na segunda parte, apresentam-se as diretrizes para a educação escolar indígena. E na terceira parte, estão os objetivos e metas que deverão ser atingidos, a curto e a longo prazo.
Entre os objetivos e metas previstos no Plano Nacional de Educação destaca-se a universalização da oferta de programas educacionais aos povos indígenas para todas as séries do ensino fundamental, assegurando autonomia para as escolas indígenas, tanto no que se refere ao projeto pedagógico quanto ao uso dos recursos financeiros, e garantindo a participação das comunidades indígenas nas decisões relativas ao funcionamento dessas escolas. Para que isso se realize, o Plano estabelece a necessidade de criação da categoria escola indígena para assegurar a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngüe e sua regularização junto aos sistemas de ensino.

O Plano Nacional de Educação prevê, ainda, a criação de programas específicos para atender às escolas indígenas, bem como a criação de linhas de financiamento para a implementação dos programas de educação em áreas indígenas. Estabelece-se que a União em colaboração com os Estados devem equipar as escolas indígenas com equipamento didático-pedagógico básico, incluindo bibliotecas, videotecas e outros materiais de apoio, bem como serão adaptados os programas já existentes hoje no Ministério da Educação em termos de auxílio ao desenvolvimento da educação.
Atribuindo aos sistemas estaduais de ensino a responsabilidade legal pela educação indígena, o PNE assume como uma das metas a ser atingida nessa esfera de atuação a profissionalização e o reconhecimento público do magistério indígena, com a criação da categoria de professores indígenas como carreira específica do magistério e com a implementação de programas contínuos de formação sistemática do professorado indígena.
(Luís Donisete Benzi Grupioni)




Fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/educacao-escolar-indigena/referencial-curricular-nacional-para-escola-indigenas


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A Síndrome do Beija-Flor

"Para todos os polivalentes de plantão, que frequentemente são julgados e incompreendidos em seu cotidiano."

http://www.jornalprimeirahora.com.br/images/noticias/observario_02_06_06_06.jpg



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 A Síndrome do Beija-Flor

Ao contrário das demais aves, que voam com o corpo na posição horizontal, o beija-flor voa na posição vertical. Por isso, suas asas não batem para cima e para baixo, como as de seus colegas de pena, mas para frente e para trás.
Essa proeza requer enorme esforço. O beija-flor precisa bater as asas mais de sessenta vezes por segundo e seu coração pulsa 1.260 vezes por minuto.

É claro que, para ter tanta vitalidade, o beija-flor precisa de energia. Muita energia. Ele consome, a cada dia, entre a metade e 3/4 do peso do seu corpo em açúcar.

Daí vem o grande paradoxo dos beija-flores: nada menos que 80% da energia que produzem é gasta apenas para sustentar seu peculiar estilo de voo.

Se um beija-flor aprendesse a retirar o néctar das flores pousando na planta em vez de ficar batendo asa ao lado dela, como um helicóptero de penas, reduziria sua carga de trabalho em 80%. Teria menos stress e não sobrecarregaria tanto o seu coração.

Por que, então, o beija-flor nunca pensou nessa solução mais cômoda? Porque se transformaria em um passarinho qualquer. E teria duas opções na vida: ou ficaria trancado numa gaiola, piando na hora certa e ganhando raçãozinha de alpiste, ou vivendo uma vida de pardal, voando anônimo pela vida.

Ser diferente das outras aves não é sua opção. É a sua natureza

Nas empresas, existem pessoas que fazem um monte de coisas ao mesmo tempo, frequentam tudo quanto é curso, têm ideias e sugestões. Essas pessoas incansáveis são os beija-flores das empresas.

Mas essa gente, quase sempre, é mal-entendido pelos colegas de trabalho. O que o funcionário beija-flor chama de entusiasmo, seus colegas classificam de falta de foco. O que chama de dinamismo, seu chefe chama de dispersão.

Por que o profissional beija-flor insiste em ser acelerado e criativo, quando seria mais mais fácil ser igual a todo mundo? Porque ser diferente dos colegas não é sua opção. É a sua natureza.

 
Retirado do livro "Clássicos do Mundo Corporativo" de Max Gehringer.
 
Fonte:< http://vieirajuliana.blogspot.com/2011/07/codinome-beija-flor.html > Acessado em 11 de Outubro de 2011.

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4 de set. de 2011

Mensagem de alerta para a presidenta

Li essa mensagem, e no começo não gostei muito por não concordar as  ideias nela lançadas. Mas ao terminar, ela me fez refletir bastante, não somente porque a autoridade que escreve tem cabarito para tal, mas porque, de fato, suas palavras soaram-me como um grito...

Um grito de socorro!

Agora é a vez de vocês, aguardo os comentários.


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Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva - de Boa Vista 
                                                                                                                                                 http://correiodobrasil.com.br/wp-content/uploads/2011/09/porta-avioesMG-300x169.jpgO aeródromo Minas Gerais foi uma das poucas aquisições para a máquina de guerra do Brasil



Muitos se lembram, 1957, o Brasil negociava um aeródromo, o antigo Vengeance veterano de batalhas da Royal Navy que se chamou de Minas Gerais. Na época, em um contexto de ameaças bem menos clamante, o comediante Juca Chaves ironizava em canção desafinada, patética mesmo:  “O Brasil já vai à guerra, comprou porta-aviões”. Deve ser dito, naquela década existia aqui quase que exclusivamente uma indústria leve de consumo, dedicada à produção de bem perecíveis e semiduráveis.

Eis que, passados sessenta anos, já fabricamos petroleiros com tecnologia náutica de alto nível e de tonelagem superior ao do Velho Minas. De repente um gigante adormecido se alça como a oitava economia do mundo, as ameaças ganham contornos imprevisíveis e as fontes de seus inesgotáveis recursos naturais são proclamadas como “patrimônio da humanidade”. A surpresa é tamanha e ele surpreendido fica atônito, perdido tal qual deputado sem ficha limpa que hoje quer se reeleger. Sem comando, se mantém hoje, guardadas as devidas proporções, a mesma fragilidade que tínha nos anos “50”. Simplesmente a potencialização de recursos soberbos avançou muito em relação ao grau de segurança que, ainda indisponível, se impõe para sua garantia.

Lula, fraco mas abusado, interagia como alguns que o precederam, muito emproado, se os poderosos colocavam as mangas de fora postulando seu quinhão amazonense, Luis Inácio estufava o peito e dizia: -“O Brasil precisa mostrar os dentes por causa da Amazônia e da reserva do pré-sal”. Para ele comprar material bélico no exterior era como que arreganhar a dentadura. Haja paciência, que tamanha ingenuidade! Se a “Santa Aliança do CS/ONU” mostrar o relho nossos cariados vão cair de podres!


Nosso “precavido” Luis Inácio ainda dizia que “quanto mais preparados estivessem os militares brasileiros, menor seria o risco de uma guerra”. Mas eles vão se preparar como, com que armas? Presidenta Dilma, valha-me Deus! ! Os porta-aviões da 4ª Frota/USA têm muito mais caças do que se quer comprar para a FAB, isto sem falar nos três ou quatro submarinos nucleares daquela força tarefa que, além da propulsão, são dotados de mísseis, convencionais e atômicos, que podem ser lançados mesmo na situação de nave submersa. A conclusão a que se chega é que governantes, políticos, mas também a sociedade não está nem aí. Com a palavra a nova comandante em chefe de nossas Forças Armadas!

Cidadão brasileiro, povo deste imenso País indefeso, é preciso aceitar a realidade. As palavras foram ditas, sim, por um civil de envergadura sem par, é Rui Barbosa quem vaticina -“Uma nação que confia em seus direitos em vez de confiar em seus soldados engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda”. Presidenta! Nossos guerreiros com medidas paliativas não se sustentam. Eles carecem de poder definitivo não para fazer guerras, que isso fique bem entendido, mas, para o inimigo desistir da luta. Iraque, Afeganistão, Líbia, os exemplos estão aí, quando os cães de guerra resolvem intervir, “para proteção da população civil”, não há quem os segure! Que não se duvide, seus “bombardeios cirúrgicos” já mataram no Oriente Médio muito mais mulheres e crianças do que qualquer sultão mal intencionado. Alerta! Nossos “kosovos indígenas” já estão mostrando as unhas!


E quanto à potência mambembe herdada por Dilma? Sim, aquela que quer porque quer um acento permanente no “Conselho de Segurança”, com direito a veto nas mesmas condições dos “senhores da guerra”. Ah! A ONU, com certeza, vai apontar o “mapa do caminho” para o seu postulado… . Acredite quem quiser.



Paulo Ricardo da Rocha Paiva é coronel de Infantaria e Estado-Maior, doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.


Fonte:               

CORREIO DO BRASIL < http://correiodobrasil.com.br/mensagem-de-alerta-para-a-presidenta/292311/  >  Acessado em: 04-09-2011.
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18 de ago. de 2011

Artigo: CONCEITUANDO A ANTROPOLOGIA. Por: Ronaldo A Lidório

Encontrei esse artigo na revista ANTROPOS – Revista de Antropologia – e achei muito interessante, então resolvi compartilhar com vocês. Abaixo segue a refererência.
 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDFagKVZQBnMrq5nQGFVzt1EQoqZ-UECdpi-b8qrtX48AC0ivAjtcw36X8IXjANqWQQxPtNNbnRA5tAGzffnUSlpQebgqt3sxrEfqsBiXaW8oT1x-CfsWnRuoJtP80oYk42zVWI3d1v-q-/s1600/artigos.jpg
O objetivo deste artigo é introduzirmos  antropologia como ciência social, a partir dos seus próprios conceitos, assim como os da cultura e do homem, constituindo  -  estes três (a antropologia, a cultura e o homem)  - os focos principais. 

O que temos praticamente aqui são três níveis de estudo onde  antropologia se vê como um círculo de conhecimento acadêmico cuja abrangência seria mais vasta e englobaria a conceituação de cultura e sucessivamente do homem, pois este é a célula menor dentro da composição de todos os demais segmentos culturais. Acreditamos portanto que, de maneira bem prática, se conceituarmos Antropologia, Cultura e Homem teremos uma boa base acadêmica sobre tal assunto como ciência. 

Teorias antropológicas 

 No século XIX surge o evolucionismo unilinear, que aplica a teoria da  evolução na culturalidade e gera o pressuposto que o homem passaria por estágios de evolução cultural: da selvageria à barbárie, da barbárie à civilização e da civilização ao estado de perfeição relativa. Tais estudos se basearam na observação de culturas ultramarinas, a partir do gabinete e não do campo, de forma distante e pouco aprofundada. São estudos etnocêntricos e comparativos, relegando às etnias minoritárias diferentes graus de primitivismo tendo a cultura européia como ponto de referência do processo civilizatório. É, dessa forma, uma teoria idealista, tendo como ideal o europeu, sua sociedade e tecnologia. Esta teoria criou a plataforma filosófica para o domínio europeu no novo mundo e foi desenvolvida dentro do cenário dos escritos e pensamento de Spencer (princípios da biologia, 1864) e Tylor (A cultura primitiva, 1871) dentre outros. A publicação de Regras do Método Sociológico, de 1895, propõe que os fatos sociais eram mais complexos do que se imaginaria a princípio. Com Durkheim os fenômenos sociais começam a ser definidos como objetos de investigação socio-antropológica. Juntamente com Mauss, Durkheim1 (no final do século XIX) se debruça nas representações primitivas, estudo que culminará na obra Algumas formas primitivas de classificação, publicada em 1901. Com isto se vê inaugurada a chamada linhagem francesa no estudo da antropologia.  Franz Boas , nos Estados Unidos da América, desenvolve a idéia de que cada cultura tem uma história particular e, portanto a difusão de traços culturais deveria acontecer com freqüência e abrangência. Nasce o Relativismo cultural tendo início a investigação de campo, saindo dos gabinetes e cenários puramente teóricos. Boas defende que cada cultura deve ser definida pela sua própria história particular, portanto torna-se necessário estudá-las separadamente com o objetivo de construir sua história. Surgia o Culturalismo, também conhecido como  Particularismo Histórico.  Deste movimento nasceria posteriormente a escola antropológica da Cultura e Personalidade. O particularismo histórico questionou o evolucionismo unilinear propondo que cada cultura possui sua historicidade que demanda respeito. São atacadas as comparações idealistas culturais. Advoga também o que seria o protótipo da observação participativa na  qual o pesquisador interage com o povo alvo. Desenvolveu o método indutivo (do particular para o geral) contrapondo a antropologia clássica da época, generalista.  A Antropologia Estrutural nasce na década de 1940. Lévi-Strauss é o seu grande teórico e defende que existem regras estruturantes das culturas na mente humana. Desta forma estas regras constroem pares de oposição para organizar o sentindo. Ele recorre a duas fontes principais: a corrente psicológica criada por Wundt e o trabalho realizado no campo da lingüística, por Saussure, denominado Estruturalismo. Foi também influenciado por Durkheim, Jakobson com a teoria lingüística, Kant com o idealismo e Mauss. O Estruturalismo dá um grande impulso a lingüística de forma geral ao defender que é necessário compreender o padrão mental, de pensamento e comunicação de um povo, a fim de compreender a sua cultura. Nesta época métodos fonológicos passam a ser aplicados para estudos culturais. A finalidade maior é encontrar o que foi chamado de pensamento coletivo pois este aglutinaria impressões e valores de um povo. Valoriza-se o registro (e interpretação) de lendas e mitos. O Funcionalismo vem se contrapor às teorias da época e propõe a compreensão (e estudo) da cultura a partir de um ciclo de valores que estão interligados. Ou seja, todos os aspectos que definem uma sociedade (língua, atividades de subsistência etc) fazem parte de um todo que pode ser entendido como cultura. Desta forma vemos o nascimento da distinção entre etnografia e etnologia, pressupondo a necessidade de não apenas dissertar as atividades humanas em determinado segmento social mas também compreender a identidade do grupo. Radcliffe-Brown e Evans-Pritchard desenvolveram esta teoria propondo uma nova ramificação que é o Funcionalismo estrutural. Defenderam que a estrutura social é o ponto central em uma sociedade e todas as atividades e fatos sociais (valores, religião, organização familiar etc) são desenvolvidos com a finalidade de manter a estrutura social estável. O desequilíbrio desta  estrutura social faz com que a sociedade desenvolva outros mecanismos, valores ou atividades que venham a reequilibrá-lo.  O Neo-evolucionismo define que a evolução cultural se dará, basicamente, através da luta do homem contra a natureza, e o domínio deste sobre aquele em relação à subsistência, segurança e bem estar. Steward defendia, porém, que as mudanças ambientais foram as principais causadoras das mudanças culturais e prevê que as grandes possíveis mudanças ambientais puderam resultar em mudanças gerais na humanidade. Assim defende ser  necessário, ao homem, permanecer com seu instinto de adaptação ao ambiente, o que proverá segurança e sobrevivência.  Na segunda metade do século 20 Clifford Geertz, após Lévi-Strauss, provavelmente foi o antropólogo cujas idéias mais causaram impacto na sociedade. É considerado o fundador de uma das vertentes da antropologia contemporânea, a chamada Antropologia hermenêutica ou interpretativa. As teorias simbólicas e hermenêuticas apresentam duas classes antropológicas. A primeira, simbólica, defende a identificação do significado cultural a partir da observação e analise de ritos, mitos, cosmogonias e assim por diante. A segunda, hermenêutica, defende a interpretação destes fatos sociais. A pergunta, para estes, é sempre, "qual a idéia por trás do fato social?" 
 
Conceituando Antropologia 

Nosso primeiro passo rumo ao triplo enfoque citado é conceituarmos, mesmo que de forma breve, a antropologia. Esta ciência foi formada a partir de diversas origens, estudos e fundamentos, documentados numa história de evoluções de idéias que levaram aos aspectos conclusivos de hoje. Laraia nos fala sobre a diversidade de pensadores que proveram os elementos necessários à ciência antropológica como Confúcio ao afirmar que “a natureza dos homens é a mesma, são seus hábitos que os mantém separados”. A partir desta idéia fundamental da antropologia muitos levantaram uma pergunta iniciadora no assunto: porque homens semelhantes em contextos semelhantes geram culturas tão distintas?  Franz Boas descreve as narrativas de Heródoto (484-424 a.C) aos gregos, a respeito do que havia visto em diferentes terras citando, em uma de suas observações, que os Lícios possuíam “um costume único pelo qual diferem de todas as outras nações. Tomam o nome da mãe e não do pai.” Este tipo de constatação veio a formar a categoria hoje conhecida como estrutura de parentesco matrilinear.  José de Anchieta (1534-1597) observou a estrutura de parentesco patrilinear entre os Tupinambás escrevendo que “porque têm para si que o parentesco verdadeiro vem pela parte dos pais, que são agentes; e que as mães não são mais que uns sacos, em respeito aos dos pais, em que se criam as crianças, e por esta causa os filhos dos pais, posto que sejam havidos de escravas e contrárias cativas, são sempre livres e tão estimados como os outros”. Geertz discorre sobre diversos outros pesquisadores que contribuíram com esboços daquilo que formaria o atual pensamento antropológico como Khaldun, no século XIV, que elaborou a tese de que os habitantes de terras quentes são mais passionais que os de climas frios . Ou ainda Locke que pesquisou o conceito das idéias a partir das distinções geográficas. No século XVIII Rousseau, Schiller e Herder tentaram construir um esboço da história da humanidade a partir dos relatos de diversas viagens, de Marco Polo a Cook.  Todos estes exemplos demonstram métodos antropológicos de observação e interpretação das raízes e valores culturais em diferentes contextos humanos. Portanto, Antropologia poderia  ser introdutoriamente conceituada como “o resultado da aglutinação histórica de impressões, fatos e idéias sobre a identidade do homem disperso em seus diferentes ajuntamentos sociais”. A ideologia antropológica, entretanto, sofreria forte impacto acadêmico do evolucionismo de Darwin (denominado na época de método comparativo), representado principalmente por Tylor. A principal oposição é encontrada exatamente nas claras idéias de Franz Boas (1858-1949). Este método comparativo defendia que o homem é o resultado do seu ambiente. Para melhor entendermos tomemos como exemplo o povo Ewe no centro de Gana, África ocidental. Sua língua utilizou quatro vocábulos diferentes para designar o conceito de rio, porque habitam numa área fluvial que depende de uma compreensão melhor da evolução desta idéia, enquanto os Konkombas, que não transitam nos rios mas partilham o mesmo território, utilizam apenas um vocábulo para conceituar rio. Assim, segundo esta teoria, o ambiente define a cultura e define o homem levando-o a desenvolver língua, hábitos e formas de agrupamento a partir do contexto.  Boas interfere e nos propõe que a cultura humana não é apenas o resultado do ambiente mas sim o resultado das idéias. Revolucionando a Antropologia da época, Boas fez escola ao mesmo tempo em que chamou a atenção para uma dualidade que tem como primeiro elemento o reconhecimento do que o ambiente pode produzir no indivíduo. Desta forma o ambiente seria de fato determinante em alguns aspectos da formação cultural do indivíduo. Tomemos, como exemplo, um bebê recém nascido, com três meses de idade, tendo nascido em uma família Tukano do Alto Rio Negro. Por algum motivo esta criança é levada para ser criada por uma família Italiana de Milão. Aos 15 anos de idade este adolescente, senão pelo aspecto físico, será um puro Italiano lingüística e culturalmente. Enfrentaria todas as limitações como qualquer Italiano se necessário fosse se aculturar no universo Tukano, aprender sua língua, entender sua cosmovisão, adaptar-se ao clima, organização social e tudo o mais. A determinação do ambiente de fato é relevante e prioritária na formação direta do indivíduo em termos de identidade étnica e cultural. Mas Boas acrescenta um segundo elemento, para compor sua dualidade. Apesar do determinismo geográfico ter seu fundamento bem embasado, há elementos que constroem a cultura em um determinado grupo que independe de sua regionalidade. A comprovação mais conclusiva, observada por Boas, foi o desenvolvimento dos Esquimós (Inuit) em uma mesma região dividida politicamente entre o Canadá e os Estados Unidos das Américas. As escolhas culturais do agrupamento foram extremamente distintas gerando grupos também distintos apesar de compartilharem a mesma história, região e ancestralidade. Falam hoje dialetos distintos e possuem costumes paradoxais mesmo vivendo tão próximos. Portanto a cultura é um elemento muito mais dinâmico do que se poderia esperar, e desta forma mais complexo ao ser analisado de forma linear. A Antropologia, inicialmente, era tratada apenas como uma área de estudo dentro da História e da Filosofia. Com o descobrimento das complexidades culturais a humanidade viu-se diante  da gritante necessidade de uma área específica e subdividida a ponto de cobrir algumas fontes de perguntas sociais. Surgiu o Estudo do homem.  Um dos fatos que despertou atenções ao redor do mundo no século XVI foi a inconcebível possibilidade de que fatos análogos possam estar desassociados em sua origem. Com as viagens e descobertas de novos mundos e povos os relatos rapidamente chegaram à Europa conduzindo uma série de questionamentos a respeito de respostas que antes eram tidas como certas. Percebeu-se, por exemplo, que o garfo foi usado primeiramente em Fiji e tempos depois inventado na Europa sem que houvesse entre estes lugares qualquer transmissão de conhecimento. Os tesouros artísticos que chegavam do chamado novo mundo ocidental possuíam tremenda semelhança com os relatados por Marco Polo no mundo oriental. O golpe final foi dado através dos relatos de grupos  isolados por gerações na Polinésia os quais, desenvolveram artifícios de bronze e arpões de pesca quase idênticos aos utilizados na Roma de dois milênios atrás sem que houvesse possibilidade de transmissão histórica de conhecimento. É claro, portanto, a conclusão de que necessidades comuns geram invenções e respostas análogas. Tornou-se necessária a existência de uma área específica para o estudo do homem, suas interações sociais, herança histórica e identidade comunitária. Surgia a Antropologia que mais tarde viria a se desmembrar em Aplicada, Cultural, Etnologia, Fenomenologia e diversas outras estruturas de pesquisa e conhecimento do desenvolvimento humano em seu contexto social.   

Conceituando Cultura 

  Vivíamos, no século XVIII, a era do determinismo geográfico onde toda diferença cultural e lingüística era considerada a partir das diferenças regionais. A atenção na incipiente etnologia da época passou a se concentrar nos ambientes onde “clima, condições de subsistência, alimento, acesso à água potável,  qualidade do ar e distanciamento de outros ajuntamentos humanos determinam em larga escala a identidade de uma pessoa e seu grupo”. Era uma visão parcial da identidade humana que viria a receber novos questionamentos.  Em face desta crescente influência cultural analítica, no fim do século XVIII e início do XIX era ampla a utilização do termo kultur ao se referir ao bojo de valores espirituais em um povo ou nação. Paralelamente civilization era um termo francês que transmitia a idéia do desenvolvimento estrutural de uma nação. Edward Tylor (1832-1917) sintetizou as duas expressões na nomenclatura inglesa culture a partir da qual várias escolas foram fundadas e pensamentos se distinguiram no estudo e pesquisa das distinções e semelhançasdo homem em seus diversos segmentos. Inicialmente se conceituou cultura como “todo comportamento aprendido, assimilado, avaliado e sujeito a progressos; tudo aquilo que independe de uma transmissão genética”.  Jacques Turgot, Jean-Jacques Rousseau e John Locke, nesta  trilha, defenderam a transmissão do conhecimento como fator responsável pela cultura e desembocaram na idéia  da educação como agente responsável pela formação do homem em sua totalidade afirmando até mesmo que os grandes macacos, através de uma educação sistemática e processual, poderiam se desenvolver em humanos.  A partir de 1920 antropólogos como Boas, Wissler e Kroeber passaram a desenvolver um estudo antropológico a partir da análise das idéias e não dos ambientes. Vieram a questionar o determinismo geográfico a partir da observação de que grupos historicamente habitantes do mesmo território se desenvolviam culturalmente de forma distinta.  Silverwood-Cope traça uma linha analítica dos povos do Alto Rio Negro onde as diferenças culturais mais gritantes eram encontradas entre as etnias com grave aproximação geográfica como os Pira-Tapuya, Tariano e Hupdah os quais, compartilhando o mesmo ambiente, diferiam entre si em categorias básicas como pescadores, plantadores e coletores, sucessivamente. Konkombas e Bassaris, no nordeste de Gana, África, possuem 1.200 anos de convivência e partilha ambiental, mas observamos os principais traços culturais de parentesco divergirem rigorosamente. Os primeiros são endogâmicos (casam-se somente entre si) enquanto o segundo grupo pratica a exogamia (casam-se exclusivamente com pessoas de fora de seu circuito cultural) como valor chave para sua interação sociocultural.  A partir de uma observação mais exata a idéia da existência do homem e seu agrupamento como uma entidade puramente receptiva e susceptível ao ambiente foi refutada. Passou-se a mergulhar nas idéias, possíveis geradoras de valores e costumes.  De forma geral, portanto, poderíamos citar Paul Hiebert e conceituar cultura como “os sistemas mais ou menos integrados de idéias, sentimentos, valores e seus padrões associados de comportamento e produtos, compartilhados por um grupo de pessoas que organiza e regulamenta o que pensa, sente e faz”.  

Conceituando o Homem 

A sociologia não vê o homem sozinho como homem, por definir este como um ser estritamente social. A psicologia vê o homem como um ser autoconsciente enquanto a filosofia o define como um ser moral e racional como defendia Hegel. Para a teologia, o fato de ser espiritual o distingue de toda a criação.  Até aqui temos visto uma antropologia mais culturalista, mais estruturalista, na consideração de que uma cultura seria um agrupamento ou um segmento social que se desenvolve a partir das idéias e influencia o homem. Não seria, portanto, o meio geográfico que determinaria a cultura, porém a dinâmica da cultura influenciaria o ser humano que estaria dentro dela, sendo o homem a célula menor.  Perante tal pressuposto surgiu, porém, um problema axiomático a ser debatido na antropologia. Estudiosos começaram a perceber que, perante culturas profundamente definidas em alguns aspectos (modo de vida, valores, prioridades, etc) não raramente surgiam  indivíduos que, drástica e surpreendentemente, geravam mudanças profundas na base dos conceitos e vida. Ou seja, passou-se a perceber que o homem é um agente transformador da cultura. Assim, o segredo para entendermos a dinâmica cultural seria entendermos o homem, o indivíduo, este ser destituído de muito valor na visão estruturalista.  Pensando sobre o agente humano e suas múltiplas interações, Kroeber ajuda-nos a distinguir o orgânico do cultural. Segundo ele o homem está inserido na mecânica da natureza de forma igual pois, organicamente, possui necessidades igualitárias a serem satisfeitas tais como o sono, alimentação, proteção, sexualidade e etc. Porém, a forma de suprir estas necessidades difere, certamente, de agrupamento para agrupamento, de segmento social para segmento social. E isto seria cultura. Se um indígena, membro de uma cultura tolerante ao infanticídio, ou mesmo fomentadora do mesmo, um dia decidir não mais participar, e até mesmo se opor a tal prática, movido por pura volição e escolha, ua história bem como de seu grupo poderá ser perpetuamente alterada desde então.  Portanto, o homem, apesar de ser a célula menor no conceito antropológico geral e cultural, também é o agente transformador. Desta forma pode-se diferir o homem dos demais agentes da natureza, em termos culturais por “sua capacidade de transmitir sua história à geração vindoura, avaliá-la de acordo com seus atuais princípios e desejos, e recriá-la à luz de suas expectativas”.  Franz Boas, estudando as diferenças culturais entre os Esquimós (Inuit) no Canadá (1883) percebeu que as idéias de nobreza, miséria, dignidade, pecado e relacionamento, “residem na construção do coração, em que eu encontro, ou não, tanto aqui quanto entre nós”. Portanto, passou a conceituar o homem como “um agente transmissor de idéias, fonte inerente de conceitos herdados pela humanidade que se distingue em suas aplicações na vida e grupo”.  Desta forma a fonte da diversidade cultural passou a ser o homem e seu pensamento, não o ambiente e imposições geográficas. Entretanto falta aqui o estudo e percepção dos elementos geradores de idéias no indivíduo. O que veio mais tarde a ser tratado na fenomenologia religiosa.  Digno de nota seria a discordância entre Tylor e Kroeber em razão da posição do homem entre os outros seres vivos. Enquanto Tylor distinguia o homem a partir da cultura (o único possuidor de cultura e transmissão cultural) Kroeber distinguia o homem dos demais seres vivos apenas pelo poder de comunicação oral mais precisa e capacidade de gerar instrumentos que lhe pudessem ser úteis ao desenvolvimento. Apesar da tentativa de Kroeber em colocar o homem dentro da ordem da natureza, não o distinguindo dos demais seres vivos, não nos fornece munição para entendermos a sua incrível diversidade. Recorremos, portanto, às palavras de Laraia quando diz que  a grande qualidade da espécie humana foi a de romper com suas próprias limitações: um animal frágil, provido de insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos predadores. Sem asas, dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias, conquistou os mares. Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura.  Segundo Geertz, as antigas abordagens definidoras da natureza humana, tanto feitas pelo Iluminismo quanto pela antropologia clássica, são basicamente tipológicas, e  tornavam secundárias as diferenças entre indivíduos e grupos. Agora, através de uma visão cultural vemos que se tornar humano é “tornar-se individual, e nós nos tornamos individuais sob a direção dos padrões culturais... (que) não são gerais, mas específicos”. Portanto poderíamos conceituar homem, para nosso estudo antropológico, como o ser em cultura, que se define a partir da sua história, suas idéias e envolvimento social. Em sua consciência, em sua moralidade e racionalidade, assim como em sua espiritualidade o homem pode aventurar-se num caminhar construtivo em sua própria essência humana através de sua vocação cultural.



Fonte: 
LIDÓRIO, Ronado. CONCEITUANDO A ANTROPOLOGIA. Revista Antropos – Volume 3, Ano 2, Dezembro de 2009 ISSN 1982-1050. Acesso em: 18 de agosto de 2011.
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13 de ago. de 2011

A música da vez: Cidadão, Ze Ramalho.

Oii pessoal, encontrei a análise dessa música entre as minhas navegadas pela net e achei interessante postar aqui, é a atual música que abre com nosso blog.

Confiram:

A música “Cidadão” foi composta na década de 70 pelo poeta baiano Lúcio Barbosa, em homenagem ao seu tio Ulisses.
Ela narra a saga de um eu-lírico que trabalha como pedreiro, mas em razão da sua condição humilde, não pode frequentar nenhuma das obras por ele construídas. A inspiração veio do fato do tio também ser pedreiro, ter construído inúmeras obras na cidade grande, mas não possuir casa própria.
É uma música forte que aborda o preconceito e a discriminação que os nordestinos sofrem nas grandes cidades e faz referência a alguns problemas sociais, tais como moradia, educação e trabalho.
O título “Cidadão” é proposital para demonstrar distanciamento entre os indivíduos privilegiados, em pleno gozo dos direitos civis e políticos, ou no desempenho de seus deveres para com o Estado, e demonstra que a sociedade burguesa pode ser muito cruel, quando não considera as pessoas pobres como “cidadãs”.
Nas duas primeiras estrofes o Eu-lírico cita sempre a presença de um “cidadão” que o proíbe de entrar nos lugares, mas, na verdade, ele próprio não é capaz de enxergar-se como cidadão. Ou seja, em sua cabeça, o “cidadão” que o proíbe está em pleno gozo de seus direitos civis, e a ele, como cidadão excluído, cabe desempenhar os deveres para com o estado.
Sentindo-se excluído, cita outra faceta comum de infortúnio que cerca os desprivilegiados: a falta de lazer e o alcoolismo (“meu domingo está perdido / Dá vontade de beber”).
Ele também faz questão de incluir as pessoas de seu universo social também como seres excluídos (“minha filha inocente, vem pra mim toda contente…”) e mostra o preconceito entre os “Brasis” rico (sul) e pobre (norte) usando os advérbios “lá” e “cá” (Lá a seca castigava… / Aqui não pode estudar…).
Na última estrofe o poeta, como bom nordestino, demonstra toda a fé que deposita no filho de Deus, pois o considera também excluído pela sociedade. Nesta estrofe ele faz questão de não usar o termo “cidadão” para enfatizar que, como ele, Cristo também serviu (“fui em quem criou a terra, enchi os rios, fiz a serra…”) e a maioria dos “cidadãos” também virou-lhe as costas (“e na maioria das casas eu também não posso entrar.

(Sérgio Soeiro)


Fonte: http://analisedeletras.com.br/ze-ramalho/cidadao/
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1 de ago. de 2011

Chegou concurso na area: Agente de Pesquisa e Mapeamento, IBGE.

 http://extra.globo.com/incoming/2205774-bbd-3d5/w640h360-PROP/2009090360396.jpg

Oii pessoal, 

Esse concurso é bem interessante para nós Cientistas Sociais. 

Tanto para quem esta formado, pois é um meio de conseguir experiência como pesquisador (caso tenham escolhido o bacharelado), entendo que, na pratica, nós nem sempre vamos a campo colher dados, muitas vezes somente elaboramos o projeto e analisamos os dados que chegam até nós, mas considero super interessante termos a experiência de ir fazer a pesquisa pessoalmente, pois isso nos deixa mais sensível para entendermos as falhas e também as peculiaridades de todo processo estatístico; por outro lado, se você ainda esta na acadêmia (como eu), a experiência pode nos remeter a tomar a terrível decisão entre a licenciatura e o bacharel, pois trabalhando com a pesquisa, colocando a mão na massa, teremos uma ideia do que realmente é ser um bacharel em ciências sociais, lógico que uma ideia bem específica, pois cada pesquisa é uma pesquisa, mas uma ideia que definitivamente vai te ajudar na tua vida profissional, palavra de quem já foi recenseadora do IBGE, no último Censo Demográfico (2010).

Além de tudo que já falei, tem outro ponto positivo: o contrato é temporário! E isso é positivo porque para nos que estamos na academia é bem difícil se dedicar tempo integral a um trabalho, e por isso, trabalhar no IBGE como Agente de Pesquisa, além de nos proporcionar experiência, nos da a opção de escolher nosso horário de serviço, nos colocando numa situação confortável perante as responsabilidades que temos junto a universidade. E ainda por cima, recebemos uma boa remuneração, cerca de 850,00 reais, que tanto fazem diferença na vida de um estudante.

Bom, não é só flores ser Agente de Pesquisa, isso é verdade. Mas é verdade também que todo e qualquer trabalho, tem seus ocios, não é uma peculiaridade do pesquisador ou do recenciador do IBGE. Mas garanto que não iram se arrepender, pois a maior vantagem, é a experiência.


Infelizmente eu não posso fazer esse concurso, pois já participei do anterior e  só posso ser contratada novamente após 24 meses depois do último contrato. Mas desejo boa sorte a todos! 

E qualquer questão, é só deixar comentários, se eu poder ajudar, será um prazer!





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